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Blog, intermitente, de Artur Rodrigues

Bolonha na UMinho II

December 10th, 2007

A mesma notícia, noutra perspectiva?

Bolonha na UMinho

December 10th, 2007

Um bom sinal de que pela Universidade do Minho se está a fazer uma adaptação ao paradigma de Bolonha: Bolonha matou Noites Académicas.

Via A Destreza ds Dúvidas.

Coisas que me fascinam

November 30th, 2007

Uma lista por um "universidade cidadã" que prescinde de sessões de divulgação e cujo blog tem apenas um comentário.

Depressões de um investigador II

November 29th, 2007

Maior depressão ocorre quando se descobre que a ideia brilhante dos outros, foi simultânea à nossa, mas já foi aceite para publicação.

Depressões de um investigador

November 29th, 2007

Fazer investigação na era da internet e das bases de dados bibliográficas pode ser traumatizante e fazer-nos cair em depressões. Não é que eu seja particularmente vulnerável, mas, ainda assim, pode acontecer, mesmo que apenas por alguns minutos.

Quando temos uma ideia que nos parace brilhante a primeira dúvida que temos é porque não a tiveram outros antes. Feitas as primeiras pesquisas, se se confirma que temos uma ideia brilhante, prosseguimos caminho. Passamos a ideia ao papel, o que pode significar um processo demorado e cheio de escolhos, alguns dos quais podem fazer abortá-lo. Habitualmente constatamos que a nossa ideia não era assim tão brilhante, mas que, ainda assim, merece que continuemos a insistir nela.

Quando estamos mesmo convecidos que não é nada de especial, eis que nos chega um email, às vezes de alguém que apreciamos particularmente, com uma chamada de atenção para um working paper que poderá interessar-nos. Pelo título ficamos logo de pulga atrás da orelha. Feita uma primeira leitura, sossegamos o nosso espírito e a nossa ideia continua, já não brilhante, mas pelo menos interessante.

O problema pode surgir depois. Começamos a desvendar o novelo das citações desse working paper, e eis que entramos em sobressalto de novo. Acontece mesmo chegar a pensar termos descoberto um plágio do nosso trabalho. Rapidamente descobrimos que o trabalho é pouco anterior (às vezes simultâneo) ao nosso e entramos em depressão. E agora a nossa ideia já nos parece brilhante, porque autores daquele estatuto só têm ideias brilhantes. Se tivemos uma ideia igual, também tivemos uma ideia brilhante. Pena é que, na altura certa, não nos tenhamos convencido, de facto, que também temos ideias brilhantes. Vociferamos um pouco e fazemos um jogo das diferenças, e, por vezes, elas são tais, que podemos sair da depressão.

Sem internet, um investigador julgar-se-ia muito mais brilhante e teria muito menos depressões.

Vale a pena regressar

November 14th, 2007

Para destacar a assinar por baixo esta entrada:

A impossível reforma das universidades Portuguesas?

Estou muito céptico quanto ao resultado final. Veremos o que ventos soprarão pelo Minho.

Convergência

September 24th, 2007

Lentamente, é certo, mas estamos a convergir com os países nórdicos:

Uma nova europa?

September 13th, 2007

Sarkozy propõe reforma profunda da Política Agrícola Comum e Durão Barroso agradece contributos
O chefe de Estado francês não deu pormenores do sentido em que gostaria que essa reforma fosse produzida, mas deixou a mensagem de que os produtores agrícolas têm de habituar-se a viver com os preços de mercado e não com subsídios.
Público, 13.09.2007

Talvez a UE pudesse aprender com a experência da Nova Zelândia .

Gostava de ter escrito isto

September 12th, 2007

Kosovo, Tibete, Zimbabwe

1. Nestas últimas semanas três assuntos internacionais da realpolitik têm passado por Portugal, país soberano que assume a presidência da União Europeia: a independência do Kosovo, a visita do Dalai Lama e a presença do Zimbabwe na cimeira Europa-África. Começando pelo Kosovo, estamos a falar de um território com 11.000 km2 e pouco mais de dois milhões de habitantes, de maioria albanesa, sem economia minimamente sustentável e onde a taxa de desemprego atinge valores superiores a 60 por cento! Mesmo tendo em conta a diferencialidade étnica deste território, a obsessão da UE e dos EUA pela sua independência é difícil de entender. Do mesmo modo é difícil perceber a visão rígida, maniqueísta e de inspiração alemã de que, nos Balcãs, de um lado estão os sérvios sempre condenados, e do outro as restanbtes etnias da ex-Jugoslávia sempre acarinhadas. O Kosovo independente por ter uma etnia albanesa e muçulmana predominante? Se sim, então porque não reclama a comunidade internacional a independência da Tchetchénia ou a divisão da Bósnia entre muçulmanos, sérvios e croatas? A imposição feita à Sérvia do tipo "o vosso país entra na UE se aceitarem a independência do Kosovo" ou as declarações de Condoleezza Rice ("de uma forma ou outra, o Kosovo será independente") são impróprias de uma cultura democrática ocidental, traduzindo mesmo uma "chantagem indecente", para citar o primeiro-ministro sérvio Kostunica. Utilizando lógica idêntica, é caso para se perguntar se a União teria o mesmo critério no que toca à Espanha face a uma hipotética independência do País Basco ou da Catalunha? E outros exemplos há nesta Europa de contradições em que ser pequeno ou grande faz toda a diferença. Ou porquê o silêncio total sobre o Tibete, este um caso indubitável de diferenciação nacional em relação ao potentado da China?

2. Falando na China, temos agora a visita do Dalai Lama a Portugal que não será recebido pelo Governo, "como é óbvio" para citar Dias Amado. Tenzin Gyatso, que está em Portugal pela segunda vez, é o décimo quarto Dalai Lama, Nobel da Paz, guia espiritual do budismo tibetano e chefe do povo tibetano. Uma nação que tem sido alvo das mais hediondas expressões do mal, em parte dizimada no silêncio criminoso de quem é incapaz de respeitar o direito à diferença, à vida, à integridade de um património espiritual, cultural e até rural naquele singular tecto do mundo. Como há seis anos, o Estado português hipocritamente põe-se de lado nesta visita de um homem bom, compassivo, pacífico, delicado, culto, sereno, estudioso, defensor de uma purificação espiritual e ética. Um homem que veio em nome da mais honesta ética dos direitos humanos. Nem ao menos o exemplo de outros países democráticos que já o receberam comoveu a nossa doméstica diplomacia, mais absorvida agora em anunciar (pela boca do ministro da Economia) Portugal como o "eldorado" dos baixos salários para atrair capitais chineses… Dir-se-á que é uma questão de jogos diplomáticos para não ferir a susceptibilidade da China. Então e quando o mesmo Estado recebeu, anos atrás, Yasser Arafat, de pistola na anca, muito antes de se ter criado a Autoridade Palestiniana? Aí já não havia diplomacia a preservar? E não é Portugal o mesmo Estado que tanto trabalhou pela libertação de Timor do invasor indonésio enquanto fazia vista grossa à destruição da nação tibetana? A China vai ter os seus Jogos Olímpicos, expoente desportivo dos valores ideais de um são comportamento humano. Grande força que os novos poderes da globalização têm para serenar as consciências monetárias dos senhores do mundo que, altaneiros, choram lágrimas de crocodilo pelos deserdados, pobres e humilhados! Fico estupefacto com o silêncio ensurdecedor dos Estados, de analistas, de organizações não governamentais, perante as "minudências" atentatórias dos direitos elementares que são comuns na China, onde se batem todos os recordes de condenações arbitrárias à morte.

3. Por fim, Robert Mugabe, ditador africano implacável que não respeita os mais elementares direitos humanos e destruiu o seu país. Apesar da posição categórica do Reino Unido, a presidência portuguesa tudo faz para que "a normalidade diplomática" funcione e o homem venha a Lisboa com o estatuto de Chefe de Estado democrático. Assim vai o mundo. Com pesos distintos para questões essenciais da dignidade humana, como se as ideologias pudessem justificar ali o que é condenável acolá. A hipocrisia e a incoerência são traços permanentes da política internacional. Mas será também para esta maneira de ver o mundo que na Europa se valoriza até à náusea o Tratado Constitucional? Ou haverá opt-out para certas situações incómodas?

Público, 12.09.2007, António Bagão Félix

Só mesmo um ícone diria uma coisa destas:

"se tivesse ficado quieto, nada aconteceria. Se não vou à bola, não aconteceria o golo."